A Mulher como Protagonista no Ambiente Corporativo-Militar

Por Sérgio de Souza Carvalho Jr.

No dia 30 de maio comemora-se o Dia da Mulher Militar, em homenagem à Joana D´Arc, padroeira dos soldados, e que lutou na famosa “Guerra dos Cem Anos” entre a França e a Inglaterra.
Mais do que ser uma grande guerreira em uma época em que a mulher só existia para cuidar da prole e do marido, Joana D´Arc foi uma inspiração não só para outras mulheres pioneiras em suas áreas, mas também para os soldados que a acompanhavam nos campos de batalha.

Ilustração de Joana Darc

Em minha adolescência eu tive a honra de receber um prêmio cívico-militar das mãos de uma brasileira muito corajosa, e que poderia ser até chamada de nossa “Joana D´Arc do Ar”: a aviadora Ada Rogato, e desde essa época aprendi a valorizar as mulheres que se sobressaíam em suas áreas de atuação, principalmente quando estavam inseridas em um ambiente tipicamente masculino.

E ao se falar das mulheres nas organizações, sejam militares ou empresariais, temos que rever muitos dos conceitos que até o século passado estavam tão arraigados na mente das pessoas, a começar pela imagem que as próprias mulheres têm de si.

Se no ambiente corporativo há certo preconceito para com as mulheres, a ponto até dos salários serem mais baixos para a mesma função ou função equivalente, nas organizações militares esse quadro não acontece, com as profissionais sendo remuneradas de forma equalitária aos seus pares masculinos.

Esse é um dos benefícios da cultura militar dentro das empresas, pois remunera-se pela competência ou meritocracia e não pelo gênero sexual de quem está executando as tarefas.

Quem chega a um determinado posto vai receber seus rendimentos de acordo com o posto, e ponto final!
Assim, ao estabelecer um paralelo entre o ambiente militar e o organizacional, vejo que há inúmeros benefícios para as mulheres que adotem os conceitos militares nas empresas onde trabalham, pois com certeza elas vão progredir muito em sua carreira, não só financeiramente, como principalmente colaborando para essa mudança de paradigmas e o fim dos preconceitos.

Dentro dos conceitos militares que posso citar como fundamentais para o empoderamento feminino nas empresas, alguns se destacam até pelas características femininas inerentes ao seu tipo de pensamento, diferente do pensamento masculino mais arraigado, que versam sobre desde a forma de tomar decisões até o quanto a mulher é multitarefa nas atividades do dia-a-dia.

E falando em ser multitarefa, por conta dessa característica considerada mais tipicamente feminina, a mulher tem uma pré-disposição natural para participar de tropas de elite, pois exige-se desses combatentes um alto grau de resiliência, preparo e que seja alguém com múltiplas habilidades.

Sabe aquela cena típica feminina de antigamente, da mãe segurando uma criança no colo, enquanto fala ao telefone e mexe o arroz na panela enquanto prepara o almoço? Isso além de ser algo fora dos padrões normais da conduta masculina, que em muitos casos o homem não tem essa aptidão natural para ser multitarefa, em breve já não fará mais parte do cenário familiar, pois cada vez mais a mulher vem conquistando seu espaço nas organizações, de forma que ela levará essa característica para dentro da empresa e deverá ser melhor remunerada por isso.

Recentemente acompanhei um case de uma profissional em sua atuação como secretária executiva bilíngue em uma empresa de grande porte, onde ela atendia a 7 executivos, desde o presidente até os diretores, atendendo suas demandas por passagens e hospedagens, fazendo apresentações de Power Point e agendando reuniões complexas, pagando contas pessoais e fazendo reembolsos da empresa, tudo isso com o telefone tocando a toda hora e uma explosão de e-mails na tela do computador, enfim, nada que um controlador de voo não ficasse maluco com tanta coisa na tela do seu radar… E ela dava conta de tudo, porque havia aprendido a ter um pensamento militar, ou seja, ao chegar de manhã planejava suas atividades, definia prioridades e foco, tinha aliados para as ações mais complexas, aprendeu a treinar e delegar missões especiais para o office boy e, acima de tudo, tinha um senso de “missão” muito grande, que a fazia chegar na empresa motivada e pronta para as batalhas do dia-a-dia.

Mas para que isso ocorresse, ela precisou se preparar adequadamente, investindo em sua formação e, principalmente, aprendendo os conceitos militares de gestão para ter um grande diferencial no mercado de trabalho. Sua atuação é de grande complexidade nas tarefas que enfrenta, e ela faz parte de uma verdadeira tropa de elite dessa organização, com uma remuneração condizente às responsabilidades e confiança que possui de seus superiores.

Os conceitos militares de desenvolver um planejamento prévio e ter disciplina, além de aprender a ter resiliência nos momentos de forte stress, assim como a liderar pelo exemplo, podem elevar o grau de profissionalismo do público feminino, fazendo destes uma forma de alcançar resultados e obter ganhos maiores e o devido reconhecimento.

Mais de 29 mil mulheres fazem parte das Forças Armadas do Brasil, servindo como profissionais no Exército, Marinha e Aeronáutica.

Não é à toa que as Forças Armadas do Brasil, constituídas pelo Exército, Marinha e Aeronáutica, já empregam mais de 29 mil mulheres em seus quadros, sem falar nos efetivos femininos que fazem parte das Polícias Civil e Militar de todos os Estados, em funções que vão desde burocráticas até de combate real.

Hoje já não causa tanto espanto vermos mulheres de farda, armadas, e até entrando em choque com bandidos perigosos no rigoroso cumprimento do dever de nos proteger, mas para isso elas trilharam o mesmo treinamento dos seus pares masculinos, aprendendo os conceitos militares para a execução das suas tarefas. O empoderamento feminino foi consequência destas mulheres terem se capacitado e buscarem efetivamente por seu espaço.

Um dos conceitos militares que eu gostaria de destacar é justamente o caso da liderança motivacional, no caso das mulheres que precisam estar à frente de um grande número de pessoas, principalmente do sexo masculino, e que sentem dificuldade em lidar com esse tipo de situação.

Uma vez treinadas para essa liderança, baseada muitas vezes no exemplo, as mulheres podem exercer seu poder como líderes de forma mais tranquila e obter maior engajamento dos seus comandados. É claro que existem situações ou tarefas onde a mulher pode ter certa dificuldade em ser uma líder, por exemplo como quando uma engenheira está num canteiro de obras atuando com vários homens em um local de cunho machista exacerbado, mas se ela tiver sido bem preparada, usando com disciplina nas suas funções, conhecimento técnico e prático, e tratar seus comandados com respeito sem ser arrogante, mas também não sendo submissa, a mulher passa a ser uma Joana D´Arc em sua organização, sendo admirada por suas qualidades guerreiras e seguida por seus comandados.

Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha, e soldados do Exército.

Os conceitos militares proporcionam que a mulher obtenha o reconhecimento que precisa como uma profissional qualificada, e isso é muito importante no ambiente corporativo, sem falar que muitas das experiências vividas nos treinamentos típicos militares também podem ser aplicadas em seu cotidiano com a família e amigos. E aqui não estou falando que as mulheres devem pegar em armas e nem sair fazendo exercícios físicos intensos, mas sim de que ter atitude, disciplina, foco, determinação e conhecimento técnico/teórico não é algo exclusivo do mundo masculino.

É fato de que a mulher já é uma guerreira nata, e temos inúmeros casos de mulheres que mostram isso, como Luiza Trajano da rede de lojas Magazine Luíza, Angela Merkel primeira-ministra da Alemanha, sem falar em nossas atletas das várias modalidades ganhadoras de medalhas, basta apenas que elas saibam lapidar suas habilidades e possam, assim, junto com suas qualidades, aproveitar as oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

Faço um convite para que as mulheres participem das minhas palestras sobre o uso das técnicas militares de gestão nas organizações, para que possam conhecer melhor sobre o assunto, uma vez que se há preconceitos para com as mulheres no ambiente corporativo, nada melhor do que conhecer bem seu inimigo e o campo de batalha, para vencer e atingir o sucesso!

Até o próximo artigo. Um abraço!
Sérgio de Souza Carvalho Jr. – Comandante War Business

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *